Então tudo bem?
Então tudo bem? é a pergunta que ouvimos frequentemente quando não vimos uma pessoa há algum tempo. Pergunta curiosa, que nem sequer é pergunta, que os nossos idosos resolvem invariavelmente com um fatalismo insatisfeito-passivo: ah sim, vai-se andando. E não contentes com o seu fatalismo insatisfeito-passivo, devolvem: E os seus como vão? Esta pergunta (que a pragmática linguística resolve, como sempre, chamando-lhe um palavrão teórico-composto-justaposto-...) é difícil de resolver para um não-social. De todas as vezes que a ouvem ficam aflitos: diz-se a Verdade ou não se diz a Verdade? Claro que todos aqueles que sabem que a Pergunta não é uma Pergunta e que com a Verdade não quer nada, despacham invariavelmente com um: sim e tu? Quem não sabe que a Pergunta não é uma Pergunta encontra ali um belo pretexto para o confessionalismo.
* Conselho: quando vires um melancólico a escorrer tristeza por todos os lados nunca, mas nunca! lhe perguntes: Então tudo bem?


<< Home